CÔNJUGES: A Arte de OUVIR Sem Ficar Com Raiva

“O casamento é uma aliança entre duas pessoas: uma nunca se lembra dos aniversários e a outra lembra sempre”
Ogden Nash (1902-1971) poeta americano

Os valores dos homens e das mulheres são inerentes e diferentes. Assim também no que diz respeito aos defeitos. Aliás, assim como os valores têm uma infra-estrutura dentro da personalidade, os defeitos, do mesmo modo, os têm. Os dois erros mais comuns existentes entre o sexo oposto são: os homens erroneamente oferecem soluções e invalidam sentimentos, enquanto as mulheres oferecem conselhos e orientações não-solicitadas. Esses erros são cometidos sem nenhum deles se darem conta disso, ou seja, o fazem inconscientemente.
Observa-se num casal uma dinâmica entre eles na qual cada um tem uma necessidade emocional diferente. Enquanto os homens tentam se afastar e pensar silenciosamente sobre o que os está incomodando, as mulheres sentem uma necessidade instintiva de conversar sobre aquilo que as incomoda.
Tanto os homens quanto as mulheres sentem que se dão, mas não recebem de volta. Eles sentem que seu amor não é reconhecido nem apreciado. A verdade é que ambos estão dando amor, mas não da maneira desejada pelo parceiro. Não há reciprocidade.
As motivações que impulsionam os indivíduos a se casarem ou coabitarem, são de âmbito de fatores inconscientes. A atração sentida pelos cônjuges não se fundamenta somente na percepção consciente dos aspectos “bons” de cada um deles, mas sim numa percepção a nível inconsciente, de fatores “ruins” bastante profundos. Inconscientemente a “escolha” é feita geralmente a partir de uma complementaridade, um “encaixe” das personalidades dos cônjuges. Sendo assim, a atração entre os cônjuges pode se dar a partir de uma imaturidade emocional mútua ou mesmo de conteúdos doentios. Indivíduos que não conseguem facilmente existir como pessoas individualizadas e possuem uma intensa ansiedade de separação, geralmente procuram um parceiro que é igualmente ansioso em relação à separação e juntos se “aderem”, como se fossem um.
É comum os cônjuges viverem brigando, desentendendo-se, desencontrando-se, não se importando com o quão desconfortável e doloroso vai ficando o relacionamento. Há casais que revezam o papel de agressor e agredido; agressões estas de natureza verbal, moral ou mesmo física. Instala-se, então, uma ligação dolorosa, tormentosa, paralisante e frustrante. Não raro, são incapazes de se separarem. Nesses casos, visualiza-se que os aspectos “ruins”, conflitantes, de um, são projetados no outro, e vice-versa; o que induz, obrigatoriamente, a cada um deles, posicionarem-se defensivamente a uma relativa distância do outro, de modo a não perder para sempre essa parte do se eu. Desta forma, os conflitos de cada um dos cônjuges são externalizados na relação ─ é só questão de tempo. Ou seja, os medos e fantasias inconsciente, pertencentes ao mundo interno dos parceiros, como os problemas antigos não resolvidos, sejam eles de amor ou ódio, dominância e submissão, abstinência e desejos insaciáveis, necessidades de controles, são constantemente manifestados na interação dos cônjuges, e assim re-vivenciados infinitas vezes, à sorte da dupla.
Por outro lado, não podemos esquecer que são as boas afinidades que solidificam o elo, motivos para justificar a continuidade da convivência. Uma relação continua em que um se importa com o outro, em que ambos se desejam, se acolhem, se respeitam e se nutrem, tem tudo para que a individualidade de cada um se expanda, em coexistência com um “nós” afetuoso e forte, formando, então, um “clima” na dupla que permita superarem os conflitos existentes entre eles.

No entanto, existem casos em que, apesar da dupla ter desejo da companhia, do aconchego, de se sentirem feliz, e apesar dos esforços para superarem as divergências entre eles, não conseguem fazê-los sozinhos. Precisam de ajuda externa neutra.

Marcy Gerbelli

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