Mulheres vencem doença grave (07/03/2002)

COMPORTAMENTO
Mulheres vencem doença grave

Karenine Miracelly

O câncer de mama e o de colo do útero são hoje as doenças que mais assustam as mulheres pela gravidade e porque interferem na feminilidade. De acordo com o psicanalista Romildo Gerbelli, o tratamento afeta a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal da mulher.
O tratamento pode incluir a mastectomia, cirurgia para a retirada da mama, e a quimioterapia e radioterapia, procedimentos usados em todo tipo de câncer para destruir as células malignas. Uma das conseqüências do tratamento é a queda de pêlos, sobretudo dos cabelos, muito valorizados na beleza feminina.
Segundo Gerbelli, a primeira reação de uma paciente que descobre a doença é a inquietação e a apreensão pela ameaça à integridade física. A mulher pode se sentir injustiçada e começar a questionar o porquê da doença.
Essa situação exige uma estruturação psíquica da paciente a fim de reagir frente ao estado caótico estabelecido pela doença. “Por isso, é comum que a paciente utilize mecanismos otimistas e, sobretudo, reforce os vínculos com a religião e os valores da vida”, justifica Gerbelli. O oncologista Francisco Urbano Collado concorda que o recurso espiritual é comumente utilizado pelos mais céticos na busca da cura e de forças para vencer a doença.
A mídia também tem auxiliado a diminuir os traumas psicológicos das mulheres com câncer com a divulgação de casos de personalidades como a atriz Patrícia Pillar e a apresentadora de TV Ana Maria Braga que enfrentam de forma otimista o combate à doença.
Exemplos de coragem e perseverança na luta contra o câncer são encontrados também entre mulheres anônimas. Há dois anos, a aposentada Eloísa Floret Pannain, 70, descobriu que tinha câncer de mama. Para arrumar a vida “que havia virado de pernas para o ar”, Eloísa passou a se interessar por toda a literatura relacionada à doença, desde livros específicos até os escritos para leigos no assunto. “Quando dominei o assunto, perdi o medo e passei a encarar a doença”, conta Eloísa, que levou quatro meses para conseguir olhar a mama no espelho, tamanha a angústia que sentia. A paciente perdeu 70% do cabelo por conta das sessões de quimioterapia e radioterapia e teve 25% da mama esquerda retirada. “O câncer deve ser encarado com naturalidade pois a doença existe, é como outra qualquer e pode ser curada”. afirma.
O apego aos princípios religiosos e a perseverança foram marcas da recuperação da vendedora Marta Cristina Silvério, 40 anos, que descobriu um câncer de mama aos 28. “Quando se descobre o câncer, só existe uma opção para a mulher: unir-se à família e a algum especialista e confiar em Deus para vencer a batalha contra a doença”, explica Marta.
Mesmo doente, ela procurava levar uma vida normal e dedicava-se ao esporte e à dança. Vaidosa, Marta usa uma prótese de silicone no lugar da mama esquerda. Quando esteve internada, não abria mão da coleção de batons. Ela pedia ao médico que a acompanhava no tratamento para marcar as sessões de quimioterapia somente depois dos principais bailes da cidade, para que ela pudesse comparecer.
Em 1997, a doméstica Izabel Molina Pessoa, 61, descobriu um câncer no colo de útero. Izabel emociona-se ao falar sobre o tratamento doloroso e revela que a fé em Deus e o apoio da família foram essenciais para a vitória sobre a doença. “O importante é não parar de lutar”, ressalta. “Ninguém deve sentir pena de uma mulher com câncer, mas apoiá-la com otimismo e perseverança.”

Fonte: http://www.folhadaregiao.com.br/jornal/2002/03/07/cida05.php

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