Um dia de saudade no calendário (29/01/2002)

Por  Karenine Miracelly
Terça-Feira – 29/01/2002 – 23h41

Esta quarta-feira é o Dia da Saudade. Este sentimento conquistou espaço no calendário por sua universalidade, uma vez que toda a humanidade já lembrou de coisas ou pessoas distantes ou extintas com o desejo de tornar a vê-las ou possuí-las. A saudade tem servido de inspiração à arte, sobretudo à música e à literatura.

A professora Maria Aparecida de Godoy Baracat explica que o termo saudade originou-se do latim solitus, que remete à sensação de estar só. A palavra saudade é considerada um idiotismo da língua portuguesa devido à ausência de correspondência lexical em outra língua.

Não significa, no entanto, que os povos que falam outros idiomas não sintam saudade. O que ocorre, segundo Maria Aparecida, é a tradução do estado ou da situação, e não do sentimento em si.

O psicanalista Romildo Gerbelli explica que a saudade ocorre por causa dos vínculos estabelecidos pelo homem com outras pessoas, coisas ou lugares.

“As pessoas permanecem emocionalmente retidas e desejam o retorno de determinadas situações que lhes pareceram agradáveis”, afirma. “Só se tem saudade das coisas boas vividas.”

A ausência dos vínculos ou a perda eterna podem causar grande sofrimento. Ao mesmo tempo, a mente vai formando uma defesa contra a dor até a lembrança ser apagada definitivamente ou transformada em passado.

Caso esse sofrimento seja intenso demais, a saudade passa a ser nociva e o homem pode temer a realização de novos vínculos para não sentir a dor novamente.

Tomando o apego como a essência da saudade, o budismo coloca que a cura para o sofrimento da alma humana causado pela distância ou pela perda ocorre a partir do desapego das coisas e das pessoas queridas.

A saudade é um sentimento tão antigo que a mitologia grega tratou de representá-lo metaforicamente.

O artista plástico e professor de história da arte Arnaldo Aparecido Filho explica que a saudade é a busca da alma humana pelo amor ausente, somente pressentido, aspecto representado pela mitologia grega na peregrinação da deusa Psique pelo mundo em busca de Eros.

Outro exemplo da saudade na Antigüidade são os Jardins Suspensos da Babilônia. Considerados uma das sete maravilhas do mundo antigo, eles foram construídos pelo rei Nabucodonosor para tentar suprir as saudades que a esposa Semíramis sentia das plantas da terra natal dela.

Fonte: http://folha.fr/12574

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